INÍCIO DAS ATIVIDADES DA UMBANDA NO BRASIL

Enviado por A. Cavalcanti Nenhum Comentário 17/04/2010

INÍCIO DAS ATIVIDADES DA UMBANDA NO BRASIL.

O movimento umbandista condiz como carma coletivo do Brasil. Por isso é que esse mediunismo somente existe por aqui e se praticada em algum outro país, certamente foi levada daqui. O sentimento religioso dos brasileiros, somados ás crenças africanistas e a cultura dos colonizadores portugueses e mais recentemente os ensinamento do espiritismo provindo da França de Kardec, criou a necessidade de um movimento religioso que abrigasse todas as tendências que chegaram ao Brasil.

Uma Alta Confraria Branca do Astral Superior planejou, com a permissão direta de Jesus, o nascimento da Umbanda no solo brasileiro. Todo esse movimento, aparentemente contraditório na visão transitória dos homens impacientes, é o abençoado resgate dos conhecimentos mais antigos, da solidariedade e fraternidade que existiram na Terra de antanho e esta contribuindo decisivamente para a formação da mentalidade universalista cristã prevista para se consolidar no futuro.

Em 15 de novembro de 1908, na sessão mediúnica ocorrida na Federação Espírita de Niterói através do médium Zélio Fernandino de Moraes, contrariando as normas do trabalho, levantou-se e disse: “Aqui está faltando uma flor”. Dirigiu-se ao jardim, apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa.

Iniciou-se uma estranha confusão no local: ele incorporou uma entidade e, simultaneamente, diversos médiuns também apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertida pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no médium Zélio perguntou: “Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se designam a ouvir suas mensagens? Será por suas origens sociais ou em decorrência de sua cor?” Seguiu-se um diálogo acalorado. O dirigente pergunta á entidade: porque fala desse modo, se estou vendo que me dirijo a um jesuíta, cuja veste branca reflete uma aura de luz?

Responde a entidade: Se julgam atrasados os espíritos dos pretos velhos e dos índios devo dizer, que amanhã dia 16 de Novembro, estarei na casa de meu aparelho para dar início a um culto em que esses irmãos poderão transmitir suas mensagens, e desse modo cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que devem existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O dirigente retrucou com ironia: Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto? Ao que o espírito respondeu: Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã darei início.

No dia seguinte, na casa do médium Zélio Fernandino de Moraes, á Rua Floriano Peixoto, número 30, em Niterói, ás 20h00, membros da Federação Espírita estavam lá para comprovarem o fato, que ocorreu com a presença de parentes, amigos e vizinhos, além de uma multidão de desconhecidos que estavam do lado de fora. Naquele momento o Caboclo das Sete Encruzilhadas, manifestou-se e declarou que estava iniciado um novo culto, com a participação de espíritos de velhos africanos escravos que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, deturpadas e totalmente dirigidas a trabalhos de feitiçaria, além de índios e nativos de nosso território que trabalham em benefício de encarnados, independente de credo, classe social, raça ou cor.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal do culto, que teria por base o Evangelho de Jesus. Cujas normas o Caboclo das Sete Encruzilhadas estabeleceu e dentre elas que o trabalho espiritual seria no horário das 20h00 ás 22h00, os participante estariam uniformizados, todos de branco e os atendimentos seriam gratuitos e o nome do movimento seria Umbanda, que significa “manifestação do espírito para a caridade”

A casa de trabalhos fundada recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade. Após o ditado das normas e as respostas em latim e alemão dos sacerdotes presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, iniciou os trabalhos práticos, curando enfermos e fazendo andar paralíticos. Nesse mesmo dia, um preto velho denominado Pai Antonio quando lhe perguntaram se sentia falta de alguma coisa que deixara na terra, ele respondeu que sentia falta do cachimbo e também pediu uma guia que hoje é chamada de guia de Pai Antonio. No dia seguinte uma verdadeira romaria se formou em frente á casa da família Moraes, quando cegos e paralíticos foram curados. Nessa ocasião médiuns cuja mediunidade foram consideradas loucura deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepicionais.

Após algum tempo, um espírito denominado de Orixá Malé, iniciou seu trabalho de desmanche de feitiçaria, que envolviam os que os procuravam demonstrando sabedoria em destruir as energias maléficas. Dez anos depois o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou mais sete tendas que receberam nomes como Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, e demais tendas receberam nomes das santas e de santos pelo motivo, de que naquela época não se podia registrar o nome Umbanda, uma vez que era proibida, e seus membros perseguidos pela polícia que confundia com macumba. Enquanto o médium Zélio estava encarnado foram fundadas mais de dez mil tendas umbandistas.

Quando ministros, industriais, e militares recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes, vendo-os curados, procuravam retribuir com presentes ou vultosos cheques. “Não os aceite; devolva-o, ordenava o Caboclo das Sete Encruzilhadas” e o médium sempre seguidor dessa disciplina vivia com sustentando a família com o trabalho e ainda ajudava a manter as tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, além de ajudar pessoas hospedando-as em sua casa para receberem os tratamentos espirituais.

Nos rituais coordenados pelo médium Zélio era mantido a simplicidade, nunca sendo permitido o sacrifício de animais. Não eram utilizados atabaques ou quaisquer outros objetos de adereços. A tenda Nossa Senhora da Piedade, mantém até hoje essa disciplina. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades. A preparação dos médiuns era feita pelo banho e ervas, além do ritual amanci, a lavagem da cabeça com ervas para que os médiuns vibrem em sintonia com os guias.

Aos 55 anos de atividades, Zélio entregou a direção dos trabalhos ás suas filhas Zélia e Zilméia. Mais tarde, junto com a esposa Maria Isabel de Moraes, ativam a Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, Zélio fundou a Cabana do Pai Antônio, no Distrito de Boca do Mato, Município de Cachoeira de Macacu, estado do Rio de Janeiro. Lá dirigiu os trabalhos até quando a saúde permitiu e aos 84 anos faleceu em 03 de Outubro de 1975. Em 1971, a Senhora Lilian Ribeiro, diretora da Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – TULEF- NO Rio de Janeiro, gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que espelha a humildade e o alto grau de evolução dessa entidade de luz.

Obra consultadas:

Samadhi – Ramatís – médium Norberto Peixoto – Cap. Breve Elucidário Umbandista pelo Espírito de Vovó Maria Conga – Pág. 165 – 166.

A Missão da Umbanda – Ramatís – médium Norberto Peixoto – Cap. Nascimento da Umbanda e centenário do advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas – Pág. 15 á 22.

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